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Fluxo de caixa – conheça as dúvidas mais comuns O fluxo de caixa é um instrumento simples que pode revelar resultados incríveis. Veja as dúvidas mais comuns sobre análise de fluxo de caixa.

Por Cezinha Anjos

É muito importante estarmos munidos das melhores ferramentas, mas de nada adianta termos o melhor arco e flecha se não soubermos como operá-lo. Com certeza nossa flecha passará muito longe do alvo.

Até mesmo o fluxo de caixa, no qual muita gente olha para ele como um instrumento simples, pode revelar resultados incríveis. Mas para isso, é preciso entendermos alguns aspectos que podem não estar claros em uma visão superficial.

Por isso, separamos no artigo de hoje as dúvidas mais comuns sobre análise de fluxo de caixa.

1. Todas as minhas contas financeiras devem participar do fluxo de caixa?

Nem todas as contas correntes, poupança, aplicações ou economias devem compor o fluxo de caixa. As contas participantes do fluxo de caixa devem ser aquelas que você considera como parte do capital de giro, ou seja, aquele dinheiro que você pode mexer nele a todo momento e que serve para o bom funcionamento da empresa.

As contas que guardam dinheiro para eventualidades não devem ser consideradas. Este dinheiro pode estar bloqueado em alguma aplicação de longo prazo e você pode não ter liquidez imediata em caso de necessidade. Se você contar com este dinheiro, você pode estar se iludindo com um saldo projetado irreal.

Isso também não quer dizer que você deve manter todo o seu capital de giro em uma conta corrente sem rendimentos. O que diferencia se uma conta deve participar do fluxo de caixa ou não é o destino do dinheiro: se ele será usado para pagar as contas do dia-a-dia ou se ele está lá para uma eventualidade.

2. Posso pagar um gasto com uma conta que não participa do fluxo de caixa?

Isso vai depender de como você analisa o seu fluxo de caixa. Se você o usa como fonte de dados para saber o quanto a sua empresa gastou ou recebeu, isso não é aconselhável.

O motivo disso é que você corre o risco deste lançamento não aparecer no fluxo de caixa e você acabar não se dando conta que aquele gasto ou aquele recebimento aconteceu.

Na dúvida, faça o mínimo de lançamento nas contas não participantes, algo como os rendimentos de aplicação, por exemplo. Para pagamento de gastos maiores, faça transferências das contas não participantes para as contas participantes.

3. Devo considerar os lançamentos vencidos no meu saldo?

Conforme já escrevi em um outro artigo, um dos grandes objetivos do fluxo de caixa é ajudar a evitar saldos negativos. Você pode fazer isso olhando como os pagamentos e recebimentos impactarão no saldo projetado do seu caixa e fazendo algumas interferências, como renegociar algum pagamento ou tentar adiantar algum recebimento.

O problema é que nem tudo está no seu controle. Por exemplo, você pode decidir não pagar um gasto em dia, mas você não consegue escolher receber em dia. O recebimento é sempre uma escolha do seu cliente. Ele tem o poder de dizer se você receberá em dia ou não.

Para se ter uma visão realista, é importante não considerarmos as contas a receber vencidas, pois essas nós não temos controle de quando receberemos.

Já as contas a pagar são diferentes. É importante que você saiba como o seu saldo ficará caso você pague tudo. Melhor ainda se você puder renegociar cada conta a pagar vencida. Neste caso, já abasteça o seu fluxo de caixa com a nova data de vencimento para que o valor deste gasto só impacte o saldo do caixa no dia em que você pretende pagar.

Uma alternativa, caso você não consiga negociar os seus títulos a pagar vencidos, seria você mudar a data de vencimento deles no seu sistema para a data que você imagina que você poderá pagar. Isso lhe ajudará a acompanhar melhor o progresso do saldo projetado do seu caixa. Mas não esqueça de anotar a data de vencimento original, pois você poderá precisar dela para calcular juros de mora e multas.

4. As transferências deveriam aparecer no meu fluxo de caixa?

Sim. Quando a transferência acontece de uma conta participante do fluxo de caixa para outra, isso não faz muita diferença, pois o valor de saída de uma conta será anulado pelo valor de entrada da outra.

O problema está nas transferências de uma conta participante do fluxo de caixa para uma conta não participante do fluxo de caixa e vice-e-versa. Neste caso, é importante que o seu fluxo de caixa tenha uma maneira de demonstrar que isso aconteceu. Se isso não acontecer, você poderá ter a sensação que o dinheiro sumiu e a projeção do saldo final estará distorcida.

5. Como devo lidar com as transferências em aberto no meu fluxo de caixa?

Uma transferência em aberto deve ser tratada da mesma forma que um recebimento ou gasto em aberto. Você precisa contar com ela no seu saldo projetado para ter uma noção mais próxima da realidade de como ficará o saldo das suas contas.

Talvez você possa estar se perguntando: qual a utilidade de uma transferência em aberto? Imagine que você economiza todos os meses uma porção do resultado da empresa para expandir o seu negócio no futuro ou até mesmo como um colchão de segurança. No início do ano, talvez você já queira deixar lançado todas as transferências que acontecerão. Eu até recomendo que isso seja feito, pois assim você irá conseguir ver a previsão do seu saldo final ao longo do ano.

6. E as transferências vencidas em aberto?

Não faz muito sentido você ter transferências vencidas em aberto. Sempre que o seu fluxo de caixa apontar isso, recomendo que a mesma seja programada para uma nova data.

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Para fechar

Listamos neste artigo as dúvidas mais comuns sobre análise de fluxo de caixa, mas é provável que você ainda tenha outras. Se isso acontecer, por favor, não deixe de escrever em nossos comentários.